Linha de Horizonte

Exposição de Rui Macedo
24 outubro 2026

16:30

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RUI MACEDO — LINHA DE HORIZONTE

24 OUTUBRO 2026 · 16H30

Museu Nacional Resistência e Liberdade – Fortaleza de Peniche

 

O Museu Nacional Resistência e Liberdade – Fortaleza de Peniche inaugura a exposição temporária de Rui Macedo  “Linha de Horizonte”, com co-curadoria de Aida Rechena e Inês Valle, no sábado, dia 24 de outubro, às 16h30.

A partir de uma intervenção site-specific que articula pintura, instalação e arquitetura, Rui Macedo desenvolve uma reflexão sobre repressão, resistência, liberdade e memória, em diálogo direto com os espaços e os vestígios materiais da antiga Cadeia de Peniche. A exposição aproxima diferentes tempos e geografias e parte de uma investigação que cruza arquivos, testemunhos e documentação sobre diferentes experiências de encarceramento e violência. No centro desta exposição está a alimentação enquanto espaço de poder: o que se come, como se come, quem determina o que pode ser consumido e em que condições. Entre privação e partilha, controlo e resistência, Linha de Horizonte questiona as relações entre alimentação, liberdade e dignidade.

A exposição ocupa as antigas cozinhas da Cadeia, que abrem agora ao público pela primeira vez. Preservando a sua configuração arquitectónica e os vestígios da sua utilização, o espaço não é apresentado como uma reconstituição histórica, mas como parte integrante da exposição e da memória do lugar.

Em diálogo com a missão do Museu Nacional Resistência e Liberdade, “Linha de Horizonte” convoca a Arte Contemporânea como espaço de reflexão sobre a memória histórica e sobre os valores de liberdade, dignidade e direitos humanos.

“Linha de Horizonte” pode ser visitada até 27 de abril de 2027

Local / Sala

Cozinhas da antiga Cadeia do Forte de Peniche

Mais informações

Horário de visita:
De quarta-feira a domingo, entre as 10h00 e as 18h00.

Linha de Horizonte | Rui Macedo

O Museu Nacional Resistência e Liberdade–Fortaleza de Peniche (MNRL) inaugura no próximo sábado, 24 de outubro, às 16h30, a exposição temporária “Linha de Horizonte”, de Rui Macedo, com co-curadoria de Aida Rechena e Inês Valle. A inauguração assinala, também, a abertura ao público da zona das antigas cozinhas da Cadeia Política do Forte de Peniche, espaço que preserva a sua configuração arquitetónica original, enquanto lugar de encarceramento político durante a ditadura.

Esta exposição individual apresenta uma intervenção site-specific que interliga a pintura, a instalação e a morfologia arquitetónica do lugar, a partir do património material e imaterial da antiga cadeia, para se debruçar sobre repressão, tortura, resistência, liberdade e memória. Pela pintura, Rui Macedo aproxima diferentes tempos e geografias, convoca a memória histórica para a trazer à contemporaneidade. Esta exposição mostra, material e metaforicamente, uma leitura crítica do poder punitivo e das suas derivações autoritárias, e estabelece relações entre modos de repressão artística e política que, inevitavelmente, nos encaminham para noções de liberdade, dignidade e direitos humanos.

No centro da investigação está a alimentação enquanto modo de exercer poder: o que se come, como se come, quem determina o que pode ser consumido e em que condições. A alimentação fornecida aos presos era frequentemente insuficiente e de má qualidade, dando origem a sucessivas reivindicações e lutas por melhores condições, envolvendo, igualmente, nestas lutas, familiares e camaradas dos reclusos. A comida tornou-se um lugar de dupla condição: por um lado, mais um instrumento de privação e humilhação por parte do regime, por outro, um modo de resistência onde a partilha e a solidariedade entre os prisioneiros reforçou a união.

A Cadeia do Forte de Peniche, construída entre 1954 e 1962, foi apresentada pela propaganda do Estado Novo como uma prisão-modelo moderna e dotada de condições de referência. Na realidade, os presos estavam sujeitos a um severo regime celular, permanecendo confinados às suas celas durante cerca de 20 horas por dia. A cozinha, juntamente com a lavandaria, enfermaria e oficinas, integravam a estrutura de funcionamento da prisão e um sistema destinado a disciplinar, controlar e ‘silenciar’ os presos.

A investigação que sustenta Linha de Horizonte cruza arquivos sobre a antiga Cadeia do Forte de Peniche e outras prisões nos territórios africanos colonizados por Portugal com testemunhos de diferentes experiências de encarceramento em várias geografias. A pesquisa acompanha ainda os lugares e percursos da repressão artística, política e colonial, estabelecendo relações entre diferentes contextos durante a ditadura, bem como atuais.

A exposição desenvolve-se num diálogo direto com a arquitetura – as antigas cozinhas não foram musealizadas nem transformadas numa reconstituição histórica: preservam a sua configuração, as marcas nas paredes, a ferrugem dos fogões, os sinais de desgaste e outros vestígios da sua utilização. O próprio espaço torna-se, assim, parte da exposição e testemunho material do passado.

Entre privação e partilha, silêncio e expressão, confinamento e liberdade, Linha de Horizonte aproxima diferentes tempos e geografias e questiona o que permanece quando o poder deixa marcas nos espaços, nos corpos e nas memórias. Em diálogo com a missão do MNRL, a exposição assume a Arte Contemporânea como espaço de reflexão sobre a memória histórica e sobre os valores de liberdade, dignidade e direitos humanos.

A exposição pode ser visitada até ao dia 27 de abril de 2027, de quarta-feira a domingo, entre as 10h00 e as 18h00.